
Desde que a minha irmã me fez tia e sigo de perto o crescimento do meu sobrinho, a minha visão sobre o que é ser mãe modificou de alguma forma.
Como disse
num post antigo, o Guilherme sempre foi um bébé muito esperado. Para muita(o)s de nós, a ideia de ter um filho, quer na infância quer já a entrar na vida adulta, é por norma uma ideia envolta numa nuvem cheia de amor, de empurrar carrinhos lindos, de roupas pequeninas e fofas, peles suaves e bocejos de derreter. E isso é tudo verdade. Acrescentando ainda o cheirinho bom deles, o corpo quente pequenino junto ao nosso e tantas outras coisas boas...
Mas ter um filho é uma reviravolta na nossa vida de 180º. Tudo muda na nossa rotina, as prioridades modificam e o foco deixa de ser o "eu" para ser "ele" (ou ela). Quando hoje em dia ouço alguém dizer que porventura ter um filho seria uma boa solução para o casamento que está "bamboleante", arrrepia-me, pois um filho não salva, de todo, um casamento. Pelo contrário. O casamento convém estar sólido e o casal preparado psicologicamente para a chegada do novo membro da família e tudo o que isso implica: o bom e o mau. Preparado para as fraldas com os seus respectivos conteúdos, as várias mudas de roupa diárias, as cólicas, os choros sem razão aparente, as "manhas", a privação do sono (que é muita!), a preparação de comida quase diária, a jigajoga dos horários (onde deixo o miúdo, com quem e de que horas a que horas), as horas infindáveis a ver os bonecos na televisão que o miúdo adora, brincar com N brinquedos todos os dias, horas sem fim, a não fazer umas férias fora durante um bom tempo (e a tralha que isso implica quando se vai) ou a logística/dificuldade que implicam coisas simples como ir a um cinema, ou cortar o cabelo, ou ir às compras!... Enfim, a privação deles próprios, porque o importante, o que vem em primeiro lugar é o filho. Isto, sendo um bébé saudável, porque quem tem filhos doentes ou que apanham tudo, pode acrescentar mais horas de privação de sono, tempo no pediátrico, choros e gritos de dor e tudo o que tal implica...
Que nunca ninguém me venha cá dizer que a licença de maternidade são "umas férias"... O fantástico que constatei é que a maternidade deve despoletar uma série de hormonas que fazem com que meras mulheres, ao se tornarem mães, se tornem super-mulheres! Uma força vinda de não sei onde apodera-se delas e faz com que continuem sempre a sorrir mesmo apesar de todo o cansaço, de darem de mamar de 3 em 3 horas (ou menos), de trocarem inúmeras fraldas e roupas, de toda a roupa delas andar bolsada, com baba ou suja de papa, de fazer comida e afins, de passarem a maioria do dia com um ser minúsculo que lhes ocupa quase todo o seu dia sem quase terem oportunidade de fazer mais nada (aprendem a tomar banho em 5 minutos), e muitas vezes passam dias inteiros dentro de casa (não esquecer o dar de mamar de 3 em 3h inclusive durante a noite!), em que serem elas próprias fica para 2º, 3º ou 4º plano. Por isso não, minha gente, não são umas férias, de todo. E digam o que disserem, sinceramente acho que isto é uma coisa que só uma mulher conseguia fazer... 4 a 6 meses, 24 horas por dia?
Try them.
Estas mulheres são mães, muitas mães pelas 1ª vez com todas as dúvidas, medos, pressão e avaliação familiar que isso acarreta, com todo o cansaço que daí advém, e no entanto têm tanta força de vontade que ainda conseguem esboçar um sorriso quando o filho delas faz birra pela 5678ª vez.
E sabem porquê? Porque quando aquele ser pequenino, que faz o mundo familiar girar à sua volta, dá aquela gargalhada divina, faz uns sons deliciosos ou diz "pa pa", "ma ma", ou "ba ba", faz compensar tudo! Parece que quando está presente, faz esquecer a maioria das chatices da vida, faz com que a família se una e lembra-nos o porquê de estarmos vivos e a importância e bênção que é de sermos responsáveis pela educação e criação de mais um ser neste mundo!